quarta-feira, 14 de agosto de 2013

"Tempos Modernos"

Já foi-se o tempo em que um tecido foi chamado de tecido, hoje é pano, o que me incomoda seriamente. A indústria de moda contemporânea vem passando por um processo repetitivo de confecção e tirando a essência do ato de "vestir-se". Tendo como lembrança os anos 20, por exemplo, onde as silhuetas, levando em consideração que Paul Poiret foi quem as libertou, Chanel conseguiu reinventar a moda e consequentemente o tal ato. Foi pensando no bem estar das mulheres que inovou, e hoje é lembrada mundialmente.


O processo de fabricação das roupas hoje em dia, deixa um pouco a desejar na qualidade, mas atende à demanda e assim, aumentando lucros. Esse é o mundo da moda onde se produz cópias em série com o valor muito baixo e em grande quantidade, para alimentar as consumidoras de plantão. As fast fashion estão aí para isso. É possível sair a noite e ver que tudo não passa de um uniforme, onde todas seguem as mesmas tendências que vêem nos mesmos blogs de Look do Dia e frequentam as mesmas lojas. Não posso generalizar, seria hipocrisia da minha parte, já que também sofro desse mal.

Lembrei então de "Tempos Modernos" de Charles Chaplin, crítica à industrialização, capitalismo e maus tratos aos funcionários (lembrando somente do assunto tratado aqui, pois o filme aborda muito mais do que isso). Achei incrível pensar que mesmo quase 80 anos depois, as críticas sejam as mesmas. Mas criticando somente o ato da uniformização e desmistificação à cultura fashion, por algo somente robótico, é possível compreender para quem se interessa por moda, que a cada dia vai perdendo o sentido e o seu real fundamento, que não seja somente "vender".

Uma palestra dada pela responsável da marca vintage, Byronesque, Gill Linton fala um pouco sobre a desvalorização da moda, quando produzidas em massa, e defende o poder do Vintage sobre a sociedade. Em um bate papo breve, ela conta como funciona a sua marca e como valoriza o vintage, inserindo-o no mercado de forma também competitiva, investindo em look books e e-commerce.


                        

Muitos vêem o Vintage, como algo usado, velho e desgastado. Mas não tem a consciência de que a peça pode ter sido estritamente pensada por alguém à alguém, e que pelo simples fato de estar sendo vendida à um determinado público, tem o seu valor. Quando bem cuidada, é claro!

Defendo o vintage como base em sustentabilidade, menores gastos e exclusividade. O que eu acho fundamental para cada sub-cultura, sub-culturas essas, que são capazes de fazer voltar o handmade e  o couture conquistado há anos e que vem se perdendo com o tempo.

Lojas brasileiras como O Gato Bravo (SP), B.Luxo (SP) e Eu Amo (RJ), já tem um espaço garantido no coração das vintage hunters, por trazerem a história junto com cada peça. Ô se tem!

"Buy less
 Choose well"
-Vivien Westwood

Nenhum comentário:

Postar um comentário